segunda-feira, 31 de março de 2014

TODAS SOMOS CLÁUDIA

Da série: Números e Estatísticas
Quem vai comprar o pão? 


Claudia Silva Ferreira, 38 anos, trabalhadora (auxiliar de limpeza), mãe de quatro filhos e criava quatro sobrinhos, negra, moradora da periferia, mulher. Morta e arrastada por carro da PM.

sábado, 8 de março de 2014

Com que roupa eu vou?



É como ser convidada pra uma festa e não saber qual presente levar, qual o real motivo da comemoração e quem vai poder entrar, assim é o dia de hoje, o dia Internacional da mulher.

Quais mulheres são festejadas hoje?

Que roupa vamos usar? Será que hoje eu poderei sair na rua de minissaia ou blusa decotada e não correr o risco ser chamada de vadia, ou mesmo não me preocupar com os altos índices de estupro dos quais eu por ser mulher estou vulnerável? E será que hoje os crimes de violência doméstica serão menores que os de ontem?

Usaremos hoje as roupas de todo dia...

Hoje vamos nos vestir de mulher maravilha, aquela que tem que se virar entre a casa, os filhos, o trabalho e ainda estar linda e perfumada e bem disposta para seu marido e pra sociedade. Hoje vamos nos vestir de boneca Barbie, aquela que tem que está sempre sorridente, que tem que ter o rosto perfeito ou um corpo esculpido naquela clínica da felicidade que vemos pela TV. Hoje vamos nos vestir de mãe exemplar e íntegra, que carrega a “culpa” e que, mais do que o pai, tem peso maior na educação dos filhos, por que? Porque ela é a Mãe!. Hoje vamos nos vestir de mocinhas bem comportadas, que não falam palavrões em público, pois somos por “natureza” seres delicados e sensíveis.

Quais as roupas convidadas pra esta festa? Que tal hoje nos vestirmos de todas elas que existem?

Hoje exclusivamente hoje, vamos nos vestir de mãe solteira, de mãe casada, de mulher que não quis ter filhos, de mulher que quis, de mulher trabalhadora, de mulher fora do padrão, de Nísia Floresta, de mulher padronizada, de mulher cis, de mulher trans, de mulheres moldadas pra serem mulheres, de mulheres que nasceram mulheres, de mulheres de salto altíssimo, de mulheres de rasteirinha, de mulheres descalças, de mulheres que vão pra rua, de mulheres que ficam em casa, porque hoje é mais do que um dia a ser comemorado, é dia de reconhecer a luta por igualdades, resistências. Hoje é dia de refletirmos em coletividade que também não houve tantas mudanças assim, que a luta continua, que o machismo, racismo, sexismo e outros ismos ainda estão aí oprimindo e matando mulheres todos os dias, engordando estatísticas, nos deixando em alerta.


No dia de hoje o que eu mais desejo a todas nós é liberdade e luta, assim vamos comemorar diariamente nossas pequenas-grandes-conquistas e, cada vez mais, nós mulheres vestiremos nossas “roupas preferidas” e seguiremos os caminhos que escolhemos sem culpa.