quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

PALAVRA COLETIVA


O que pode a palavra?
O que ela revela de nós, em um simples gesto, em uma escolha?
A não-palavra, o antes-da-palavra, a construção pré-poesia, é poesia?
E quando a poesia é feita sem palavras? E quando a experiência com a palavra é a própria poesia em movimento?
E se...?


“Escolher uma palavra é dizer algo que reflete um sentir do momento, que vai ecoar um dizer, que não será o mesmo para o outro, que na sua escolha falará além do que se possa imaginar. Há sempre um porquê da escolha, uma afinidade, uma sensibilidade, uma denúncia de si mesmo, uma vontade louca de se fazer perceber. É gritar todos os anseios, se despindo de seus escondidos medos numa satisfação eterna de seus desejos. Realizar o sonho de escolher uma palavra é se autodescobrir, é contar de si para o outro sem segredos ou ocultar um enigma que permanecerá entre as linhas que seguirão no infinito.”*

Tem um objeto-livro na parede, uma caixa com de palavras, pessoas. A poesia é construída coletivamente, com dezenas de mãos, de subjetividades, de histórias diferentes, de caminhos diversos... 

Palavra coletiva é uma instalação que apresentei em dezembro de 2012 na galeria da Fortaleza de São José de Macapá, e teve uma interação incrível do público. Agora ele será um projeto também itinerante, outros livros esperam para serem escritos, por outras mãos, por outras vozes...



























*Texto: Naldo Martins
Crédito das fotos: Cristiana Nogueira.

                                    Rafaela de Sena Santa Ana.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Andarilho


Perdoe a pouca prece
destes lábios inertes
que só sabem calar.

Perdoe estas mãos
que não se unem,
que são imunes 
diante do mar.

Perdoe essa vida com pressa
a falta de reza
sem tempo pra amar.

Perdoe estes passos largos
que não olham para os lados
que não sabem chegar.

Por mais que esta reza perdure
Que não haja cura
Que perca o lume
Ainda saiba sonhar
E o sonho não pereça
Antes que anoiteça
perdoe essa pressa
esta noite
este mar.