sábado, 27 de dezembro de 2014

Síndrome da poesia bem comportada



Era uma poesia bem comportada,
não tinha cara de nada. 
Nem simbolista nem parnasiana,
só queria rimar com a Ana.
Usava saia, laço no cabelo.
Pintava-se toda 
Demoraaaava na frente do espelho.
Mesmo assim era toda mal aprumada,
todos riram dela, coitada.
Muito triste e desengonçada
saiu pela rua, correu desembestada.
Andou na beira da estrada.
Mas no meio do caminho tinha uma pedra.
Era Carlos vendendo cartas de amor ridículas,
e dos olhos da poesia saíram faíscas
eles se olharam
e em cima da pedra de mãos dadas ficaram.

Um comentário:

  1. Boa noite, Rafaela.
    O bom é quando a poesia flui da nossa alma sem seguir a um determinado estilo.
    Tem de tocar o nosso coração, seja ela como for.
    Tenha um excelente domingo de paz.
    Beijos na alma.

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