domingo, 29 de dezembro de 2013

POESIA NA RUA

E pra fechar o ciclo de Intervenções Urbanas Poéticas 2013, fui pro Município de Santana-AP e levei na bagagem stencil, colagem e muitos lambes. 

A ação aconteceu na área central, no muro em frente à Praça Cívica. O muro, a paisagem e o público não podiam ser melhores, era dia de festa na praça, tinha gente de toda tribo: famílias, crianças, namorados, galera do Skate, galera Heavy Metal, galera do Pagode, galera do Melody e pessoas não identificadas muito suspeitas. 

Detalhe: todo mundo junto e misturado e em harmonia!

E é exatamente o que desejo pro ano vindouro: que além de muita poesia em nossas vidas possamos fazer com que as diferenças nos aproximem cada vez mais, aceitando e respeitando o espaço de cada um, sem tanta gente triste, por favor!











terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Hoje


Todo dia devia ter um pouco de amanhã
Pra gente não sofrer
Pra pisar firme, seguro.
Pra todo mundo ter
Um pouco de futuro
Hoje, agora, pra valer.

Daria meu verso pra uma estrela nascer
E iluminar a fronte do moço que dorme na esquina
E se ele pudesse ser a minha rima
Ah se meu verso pudesse salvar esse moço!
Se eu pudesse ser essa estrela
Seria uma vela acessa no nada
Mas uma vela apenas não basta.

E se agora não fosse mais madrugada ...
As mesas estão fartas
As pessoas estão tão fartas.



Feliz Natal a todos os amigos blogueiros, que seja um dia verdadeiramente especial na vida de cada um e que nosso amanhã traga outros sóis, outros ventos nos impulsionando sempre a seguir firmes, certos da vitória. Fiquem com Deus.

domingo, 15 de dezembro de 2013

PROJETO: + VERDE MACAPÁ !

Falta-me o verde, me falta o ar, sua falta me faz agonia. No calor, na dor de não tê-lo, a sombra, onde me acolher. Nas ruas, onde os passantes se desviam não um do outro, mas tentam se esconder debaixo de um pé de árvore, do ardor. Na pele corada do sol, do rosto, que rubra o vermelho do Urucum que não vem da mata, mas do céu.



O verde projeta-se no muro, do spray que pinta o artista, em clamor ao homem que derruba que corta, que não sente dó, nem planta o futuro.



* Texto da exposição coletiva: 'De tanto olhar pra longe não vejo o que passa perto'
**Fotos: Naldo Martins

Realização: Núcleo de Fotografia Contemporânea - NUFOC

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Assuntos alheios

Obra Trouxas Ensanguentadas, do artista luso-brasileiro Artur Barrio

Um corpo na rua
Produto violável
Símbolo sem sujeito
Reflexo do outro
E pensas que é tão teu.

Discreto, obsoleto
Coletivo do bonde que passa
Descola uma hora
Decola na esquina
Social

Um corpo sumia na ladeira
Um oco de corpo
Via-o pelo copo
Corpo vermelho
Abraçava o chão
Reunia tantos outros
Rezavam baixinho
Salvação

Silêncio
_________________ 
Um corpo nasceu

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Presentes pra vida: Obrigada Samuel!

O natal nem chegou, mas já ganhei presente! E que presente! Sinto-me honrada de ter virado um pedacinho de poesia em mãos tão talentosas como a do poeta Samuel Balbinot, um artista acessível, generoso, e mais, eu ter a oportunidade de estreitar estes laços de admiração - que surgem a priori no mundo dos blogs - por poetas comprometidos com sua arte. Espero um dia agradecer à altura dos seus versos meu querido, enquanto isso, fico aqui toda boba te lendo, relendo, lendo...


SONETO À RAFAELA

Guardas no olhar o brilho majestoso
Do amor que reina no teu coração;
Perfumes rolam pelo céu precioso...
Dançam nos ares ao som da canção;

Nos véus do luar sempre luminoso...
Os sorrisos teus ganham a bênção
Do Deus que zela o teu esplendoroso
Ser buscando uma doce direção;

Caminha na beleza destas terras
Contemplando as mais doces primaveras
Sempre vestidas pelas lindas cores;

Nos teus olhos os límpidos amores
Reluzem formando uma passarela
Celestial onde te encontras Rafaela;

10-12-13 Soneto à Rafaela Sena

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Edifício


A rima é o desespero da poesia
Fechada pra aluguel
Em dias de turbulência.

Coisa densa
Empacotada
Caco solto na estrada
Encomenda demorada.

Só encontra quem pisa nela
Há de ser confete quem encontrá-la
Nem ímpar nem par
Roda gigante
Paralela
Linha disto.ante.

A rima edifica o olhar:

Poesia-edifício.

E não precisa rimar pra ser concreta
É concreta assim desfeita em pó
Da construção-do-edifício-do-olhar.

Eu olho a poesia sem rima
A rima-do pó-do concreto
Rima que bate e apanha sem dó
A não-sintonia

Híbrida

Afogada na própria vírgula.

O que seria da poesia sem o edifício
a construção, o olhar e o pó?.

Ainda sim poesia

Edificada
Dissonante
Transgressora
Transgestiva
Traída
Poesística.