segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Deixa


Deixa fugirem estes pequenos afagos,
No cabelo molhado
Da face enrustida
No meio do nada
Depois da briga

Deixa fugir teu braço no meu,
Correndo incessante
Caminho sem fim
Deixando poeira
Fazendo clarão
Correndo descalços, em pleno verão

Deixa fugir a voz,
Te chamar pra dentro
Esperar na porta
Ouvir teu lamento
Rezar contigo
Te dar abrigo

Deixa fugir meu olhar sobre o teu,
procurando vestígios,
de um amor em comum
Par a par, cada um.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Reencontro



Andei por aí                              
Sem livro, sem música.                
Isenta do papel de ouro,             
Da fonte límpida.                        
Passos descompassados               
afrouxaram os grilhões presos a mim.                                             
E vi poesia na esquina,                 
No muro desbotado,                   
Na ferida do rosto.                      
Vi poesia no prato sujo               
largado no fundo da pia.              
Na terra que sujava a mão,          
Vi poesia na fome do miserável,    
Na flor morta à beira da estrada,
Na menina perdida na multidão,    
E vendo poesia, que sem querer
Tornei-me a esquina,
O muro desbotado,
A ferida
Foi sem querer que me tornei,
o prato sujo,
a terra suja
a miserável
a flor morta
Sem quer, tornei-me a menina perdida.

Prece



Peço àquele que me guarda,
um lugar de clausura, longitude...
Que meu caminhar se assemelhe às pedras que cobrem este chão...
Simples, tolas, precisas.
Que meu esforço não seja por palavras, pedaços de papéis, confetes!
Mas por uma delação íntima que o outro me confessa,
quando de súbito se descobre só.
Que nunca me falte a solidão, para o verso nascer

À imagem e semelhança... 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O mar


Era um lugar longe, extremo, cercado de mar, lá se dançava uma dança com nome de mar, com som de grilhões e correntes que guardavam a história em pedras de uma grande casa, que ficava olhando pro mar que via os barcos passar, que tinham andorinhas que voavam acima do mar e repousavam em fios que ficavam perto do mar, que estavam acima de um amontoado de comércios onde andavam muitas pessoas, elas sorriam, choravam, brincavam, morriam na beira do mar, elas achavam o mar lindo mas não sabiam de onde ele vinha, não ouviam o que ele dizia, não sabiam onde iam parar...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Infâncias




Tua imagem ainda me vem nas horas vagas
Uma lembrança boba, devota
Abraçava-me assim de leve, meio sorrindo
Cuidava dos meus sonhos
Exigia no silêncio de mim
A cumplicidade das tardes em volta da casa
De dependurar por entre os ombros ágeis de criança levada
Hoje tenho desespero de ti
De uma ausência de estar só de ti
Nem as folhas nem a chuva cobriram seus passos
Elas levam ainda o caminhar de uma alma cheia de vida
De um olhar que nunca se apaga

Que brilha em outras infâncias...


domingo, 4 de agosto de 2013

De tanto olhar pra longe, não vejo o que passa perto.

Foto: Cristiana Nogueira.
Hoje dia 04 se concluiu mais uma exposição realizada pelo grupo de pesquisa NUFOC - Núcleo de Fotografia Contemporânea - na galeria da Fortaleza de São José de Macapá. Foi um mês intenso de trabalhos que envolviam performances, intervenções urbanas, poesia, fotografia, palestra e oficina. A exposição contou com a parceria de pesquisadores do projeto trilhas urbanas, LAPEGEO de Geografia da UNIFAP, Grupo Poético Tatamirô e a participação de alguns artistas que integraram as residências do projeto BRASIS (selecionados no edital de rede da Funarte). Com tanta gente nova nos tornamos um grande coletivo, o trabalho em grupo aproximou artistas, pesquisadores e o público. A galeria da Fortaleza serviu como guardiã dos registros e fragmentos das ações que aconteciam pela cidade, lá estavam expostos os projetos que o grupo realiza, a última exposição ocorrida no final do ano passado 'LER:VER:LER', vídeo arte e fotografias. Aí  vai alguns dos trabalhos realizados ao longo da exposição na cidade:

Intervenção Urbana: lambe-lambe, estêncil, grafite.
#OcupandoEspaços
#OcupandoEspaços
Em frente ao Mercado Central
Frases do dia

Praça da Bandeira

Galeria da Fortaleza


Intervenção da artista Lene Moraes - Projeto Rede Brasis 

Praça da Bandeira
Crônicas da feira na praça da bandeira!

Praça da bandeira.
Foot Massage: massagem e poesia

Praça da Bandeira
Frente da Universidade Federal
Mais Verde Macapá!

Praça do Barão

Ficções

Feira do Produtor do Amapá
Feira do produtor do Amapá

Os trabalhos não acabam aqui, continuarão as pesquisas, o pensar artístico e as produções, este foi mais um ponta pé para iniciarmos um ciclo coletivo, de reflexões que mesclam a linguagem artística com a cidade, o cotidiano e suas poéticas!
Ah e pra quem ainda não conhece, este é o blog do grupo: http://nucleodefotografiacontemporanea.wordpress.com/ lá estão todas as atividades e ações que são realizadas.


sábado, 3 de agosto de 2013

A noite


A noite...
Estranha força que rege os passos
Que silencia os gestos
Sopra a calmaria de outros olhares
Aquece desejos amargos
A noite...
Estranha vibração que rompe segredos
Que abafa denúncias íntimas
Sopra liberdades juvenis
Aquece vontades famintas
A noite...
Rompe medidas
Ameaça vidas
Labirinto sem fim.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Olhar



Difícil mesmo é essa saudade louca do teu olhar
De dia de chuva molhar
De me secar no teu colo
De dia em que te imploro.

Para teu olhar desatento encontrar os meus passos
Desenhar-te em meus braços
Dançar o mesmo compasso
Dar-te meus sonhos.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Desperta pra poesia


Desperta pra poesia esquecida
Para a língua já proferida
Abarrotada de versos e versões humanas.
Desperta para o eco da história
Para as grades que aprisionam memórias
Para este mar de conflitos.
Desperta para as batalhas silenciosas
Do coração, dos gestos, da boca.
Desperta para o olhar sofredor na calçada
Que fala com os olhos e com a fome
Desperta para o grito coletivo
Do artista, do desconhecido.


Desperta pra poesia.