terça-feira, 13 de agosto de 2013

Reencontro



Andei por aí                              
Sem livro, sem música.                
Isenta do papel de ouro,             
Da fonte límpida.                        
Passos descompassados               
afrouxaram os grilhões presos a mim.                                             
E vi poesia na esquina,                 
No muro desbotado,                   
Na ferida do rosto.                      
Vi poesia no prato sujo               
largado no fundo da pia.              
Na terra que sujava a mão,          
Vi poesia na fome do miserável,    
Na flor morta à beira da estrada,
Na menina perdida na multidão,    
E vendo poesia, que sem querer
Tornei-me a esquina,
O muro desbotado,
A ferida
Foi sem querer que me tornei,
o prato sujo,
a terra suja
a miserável
a flor morta
Sem quer, tornei-me a menina perdida.

2 comentários:

  1. Tens olhos de poeta, Rafaela. Lendo teus versos, que transcendem a mera beleza e abismam-se, e nós junto com eles, nas profundezas da alma, lembrei-me de um verso duas vezes milenar,que,propositadamente modifico um pouquinho, para dizer o que senti ao ler a sua poesia: Se teus olhos forem bons, tudo o mais ao seu redor será bom. Tens olhos de poeta, poetisa. Parabéns!

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  2. Nossa... fico muito feliz com seu comentário, vindo de você que já admiro, para mim é uma honra, muito obrigada pelas palavras V.B.Mello! muita poesia pra você! somos vizinhos online agora! sua visita será sempre bem vinda! grande abraço!

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