domingo, 2 de julho de 2017

Entre flores e espelhos

Colagem
2017

Bailarino

Colagem
2016

Força

Colagem
2017

A equilibrista

  
Ilustração
2017

Ponte Agudos

Série Os colecionadores
2017

Âncoras

Série Os colecionadores
2017

Onde Reinamos

Há três dias navegamos pelas águas barrentas, decidimos então que era hora de ancorar...
Ilustração
Rafaela Sena
2017

domingo, 5 de março de 2017

VAMOS PEGAR UNS GALHOS LÁ FORA

Um barraco em Marte

É SEMPRE BOM FALAR DOS NOSSOS SENTIMENTOS

ESCOLHAM

Eu disse: escolham um tema pra Fanzine de vocês. E eles escolheram.

CARTA PARA VAN GOGH

Um quarto de artista e uma caixa de sapatos
Aula em dia de chuva - fevereiro de 2017

PERTENCER

Os casacos ficavam pendurados perdidos próximos à quadra, separados por nomes e gênero. Os dias passavam e eles continuavam ali. Eu sempre me deparava com essa imagem após o término das aulas, em que a escola “ficava vazia”, porém os casacos assumiam uma função de pertencimento, de continuidade, de resquícios. Era uma forma simbólica dos alunos permanecerem por meio daquele artefato, naquele espaço.
Espaço este ocupado por meninas e meninos quando colocados lado a lado na dinâmica das brincadeiras. Em sua maioria, “roupas esquecidas pelos meninos” (dizia uma das funcionárias) à outra. Estes eram mais resistentes em deixar a quadra ao término da educação física no ultimo horário de aula, esquecendo-se dos casacos.
Outro dia passei lá por perto e percebi que a quantidade havia diminuído, muitos foram embora, estava frio de novo em Macapá, e a quadra vazia outra vez.
Casacos pendurados

UM OCEANO

Filas, grupos de alunos, corre-corre, casacos perdidos pendurados, brincadeiras, rodas de alunos tirando foto, aparelhos eletrônicos. A escola é pouco a pouco ocupada com vozes e corpos. A hora da entrada é sempre um momento de efervescência, de encontros, segredos, cochichos, risadas, companheirismo.
Enfim todos formam as fileiras, ao sinal, e levam a mão direita ao peito para cantar o hino, neste momento os olhos procuram atentos o hasteamento da bandeira, assim cantam até o final com muita atenção.
Foi um período intenso de vivência dentro e fora da sala, e entre hinos e correrias, havia lugar também para o afeto, o olho no olho, o quero não-quero, a pausa no conteúdo para uma conversa sobre a vida e suas reverberações no que somos.
Havia tempo para sentarmos em roda no chão e falarmos sobre nossos gostos, sobre o noticiário da tv ou sobre como arramar sapatos. Sempre, sempre que todos percebiam que ouvir o outro era uma porta que se fechava lentamente, alguém sinalizava com um gesto invisível, porém entendido pelo grupo. E assim repetíamos os passos e sentávamos para ouvir e trocar e trocar, trocar.
Penso que essa foi uma das primeiras formas permanentes de pensar em minha prática ao entrar naquele espaço, entender que o afeto afeta nosso modo de viver a educação, arrebentando qualquer teoria, ou emocionar-se em contar uma história em roda nos torna mais empáticos. Revela-nos que arte só e possível compartilhada.
Durante os quatro meses percebi que estes encontros eram a diretriz dos registros, que posteriormente seriam escritos. Porém sem dar por mim, relembrei ao final do processo e tive a certeza de que em pesquisa, a escrita não comporta em sua totalidade a fluidez sensorial que nos atravessam e vão muito além: com sentidos/gestos/lágrimas. Muita coisa ficou de fora da escrita mas o oceano permanece aqui todo dia. Ele não cabe em um papel de pós-graduação.

Na quadra

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

CONVERSAS INFORMAIS (I)



Tríptico de colagens em papel Color Set sobre papel Kraft. Técnica de colagem mista com jornal, texturas, estampadas, depoimentos e páginas de exame de ultrassonografia (colhidas em clínicas de diagnósticos) de mulheres com nódulos mamários.

Rafaela Sena
2016

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Deriva


“Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio.” Clarice L.

Espelho
Fotocolagem - 2016
Rafaela Sena

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Dragão Zezeu

A história de um dragão que tinha medo de careta. 
Primeira das três imagens da história infantil 'Os monstros chorões', em processo infinito de acabamento.


Colagem da série 'Os monstros chorões'

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Onomatopeia

O fiasco da escrita crua, sem moldura,
será que dura?
Não é por pretensão que se perpetua
se agora é contada.
Escriturada.
                   O que mais pode querer a mão calada?
                        se finda o calo na unha amarelada
                              que mergulhada em água clara
                                    livre do colorido que a doença emprestara
                                            ajeitou enfim o cabo da panela ensebada.
Quanto tempo a fome dura?
Desde a semana passada.

Um rosto varrido em verde carne exposto:
Qual o gosto?
Retificado pra troféu e medalha
                                                   Quantos ais tinha aquele rosto?
                                              Agora não mais
                                        Não ais
                                  Sem paz
Aquele rosto era popularesco
Nada não se assemelhava nele na calçada

Raríssimo na sala.
 Aquele-aquela
Tínhamos
Temos
Eu e tu
O agora-já
Já passou
Está sendo
Ficamos mais velhos dizem
.
.Ficamos apenas.

Finda aqui o rosto
pretenso.
Reitero:
                           O gosto não acaba na escrita
                           O rosto não acaba com o gosto
                                                            Eu gosto de ti
E do que respira
Será que a mosca respira?
Certamente ela não morrerá no agora-já

Nem daqui a pouco
Nem amanhã.
                                                 Morre mais gente que mosca
                                                 Fica mais gente sem o gosto

.
                                                                                                                             Rafaela Sena

domingo, 28 de dezembro de 2014

Alvos e gaiolas

A última intervenção deste ano foi a mais emocionante e a mais generosa também. Não teve registros, nem plateia nem grandes alardes. Contou apenas com a surpresa do inesperado. E aqui deixo um dos trabalhos que mais interagiu com a galera que chegou junto!



Colagem sobre papel
18x22
2014
Rafaela Sena

sábado, 27 de dezembro de 2014

Síndrome da poesia bem comportada



Era uma poesia bem comportada,
não tinha cara de nada. 
Nem simbolista nem parnasiana,
só queria rimar com a Ana.
Usava saia, laço no cabelo.
Pintava-se toda 
Demoraaaava na frente do espelho.
Mesmo assim era toda mal aprumada,
todos riram dela, coitada.
Muito triste e desengonçada
saiu pela rua, correu desembestada.
Andou na beira da estrada.
Mas no meio do caminho tinha uma pedra.
Era Carlos vendendo cartas de amor ridículas,
e dos olhos da poesia saíram faíscas
eles se olharam
e em cima da pedra de mãos dadas ficaram.